19 de dezembro de 2011

DJALMA BELTRAMI, EX-ÁRBITRO DE FUTEBOL, É PRESO POR ENVOLVIMENTO COM MÁFIA NO RIO

O comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Djalma Beltrami, foi preso nesta segunda-feira (19), durante uma operação da Polícia Civil, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A operação cumpre 13 mandados de prisão contra policiais militares suspeitos de receberem propina de traficantes para não reprimir a venda de drogas na região. As informações são da assessoria da Polícia Civil.
Beltrami foi levado para a Divisão de Homicídios (DH) em Niterói, para prestar depoimento. Na operação também foi preso um suspeito de tráfico de drogas e apreendidos cinco quilos de maconha.
De acordo com o delegado Alan Luxardo, da DH, o comandante nega as acusações.
No entanto, Luxardo afirma que existem imagens e provas testemunhais que estão sendo analisadas. Ele disse ainda que os policiais militares vão responder por tráfico de drogas e corrupção. O comandante prestou depoimento e será levado para o Batalhão de Choque, no Centro do Rio.
O G1 entrou em contato com a Polícia Militar e a assessoria da corporação informou que não iria comentar o caso.
De acordo com o Globoesporte.com, Beltrami, paulista de 45 anos, fez parte do quadro de árbitros da Ferj de 1989 a 2011, quando se aposentou por idade em maio. Também era dos quadros da CBF (1995 a 2010) e da Fifa (2006 a 2008).

Investigações começaram há 7 meses

As investigações, que começaram há sete meses, apuravam o tráfico de drogas na Região dos Lagos. Segundo a Polícia Civil, as drogas saíam de favelas como Parque União, Manguinhos e Nova Holanda, no subúrbio, e seguiam para o Morro da Coruja, em São Gonçalo.

PMs recebiam propina para não reprimir a chegada dos entorpecentes à comunidade. De lá, as drogas eram levadas para São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos.
De acordo com a Polícia Civil, agentes cumprem também 11 mandados de prisão contra suspeitos de tráfico no Morro da Coruja, em Neves, além de outros nove de busca e apreensão, expedidos pela Justiça. Na chegada à comunidade, houve troca de tiros e um suspeito morreu.

A operação, chamada Dezembro Negro, é realizada por policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e da Baixada Fluminense, em conjunto com agentes da Corregedoria Geral Unificada (CGU).
Djalma Beltrami assumiu o 7º BPM após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, acusado de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli. Patrícia foi executada com 21 tiros ao chegar em casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, em agosto. Ao todo, 11 PMs foram denunciados pelo Ministério Público como participantes da morte da magistrada. O tenente-coronel e um tenente foram transferidos na semana passada para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).
Propina

Segundo as investigações, os PMs receberiam propina de R$ 160 mil de propina por mês. Mais de 100 policiais civis participam da operação.
“A gente vai ter que passar por isso”, diz vice-governador Pezão

O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, comentou a prisão do comandante do batalhão de São Gonçalo, durante a inauguração de uma agência bancária na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, na manhã desta segunda.
“Eu estava chegando aqui (Vila Cruzeiro) quando eu soube. Isso é a própria polícia que está fazendo. São operações da própria área de segurança. Essas situações a gente vai ter mesmo que passar, e foi assim em diversos países do mundo. Na Colômbia, mais de 24 mil policiais foram presos ou mandados embora. A gente, infelizmente, vai ter que passar por esse processo. Mas isso é uma minoria da polícia. A polícia, hoje, já vai para um contingente de 50 mil, e isso é uma minoria. Se prenderam, é porque tinham indícios ou alguma razão para prendê-lo”, afirmou Pezão, que disse não saber se já há um substituto para assumir o comando do 7º BPM.
Fonte: G1
CAMOCIM POLÍCIA 24HS

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