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sexta-feira, 5 de maio de 2017

ALARMANTE!!! EM 5 ANOS, POLÍCIA MILITAR TEVE 23 MIL LICENÇAS PARA TRATAMENTO PSICOLÓGICO

Atualmente a Polícia Militar tem cinco psicólogos para atender uma corporação com cerca de 17 mil policiais. Núcleo integrado de atendimento para os profissionais deve ser oficializado pela SSPDS

Em abril de 2009, um oficial da Polícia Militar do Ceará, que pediu para não ser identificado, percorreu um caminho de depressão que durou um ano. A situação foi gerada, segundo ele, depois de boatos, que o fizeram sofrer perseguição por outro oficial de patente maior. A confusão fez com que ele fosse transferido, ficasse longe da família e permanecesse um ano em tratamento médico para cuidar do problema psicológico que adquiriu e teve de buscar ajuda fora da corporação para se recuperar.
A situação do oficial é parecida com a de muitos militares no estado do Ceará. Entre o ano de 2011 até março de 2016, foram registradas 23.626 licenças para tratamento médico por problemas psicológicos. O dado foi fornecido pelo presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramece), Pedro Queiroz.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o serviço de acompanhamento psicológico para os PMs é realizado por cinco profissionais da área da saúde, que atendem uma corporação com aproximadamente 17 mil militares.
O militar diz que em nada a corporação o ajudou, apenas existia um relatório mensal elaborado a partir de visita que buscava saber das condições de saúde do oficial. Por iniciativa própria, ele buscou um Centro de Atenção Psicossocial no município para onde foi transferido, passou a tomar medicamento e permaneceu de licença. “Fui transferido para longe da família, não ia ser mais promovido, afetou o lado financeiro, fiquei dormindo em quartéis, comecei a me isolar”, descreve.

A melhora veio com o tempo, com atividades físicas e com a nova transferência, que o possibilitou voltar ao convívio familiar. Mas ele acredita que o preconceito foi um fator que o desestimulou, muitas vezes, a procurar ajuda. “Muitos não buscam ajuda na corporação pelo preconceito. As pessoas acham que quem busca tratamento psiquiátrico é doido e outros têm receio de procurar e não ter sigilo, de dizer algo e isso se voltar contra você”, lamenta.

Projeto

De acordo com o titular da SSPDS, André Costa, os comandantes das corporações e profissionais de saúde vêm se reunindo, há cerca de um mês, para formalizar um núcleo integrado de atendimento psicológico e de assistência social, com o objetivo de acompanhar os agentes de segurança pública.
André Costa afirma que o núcleo integrado se destinará a atender policiais militares que estão de licença para tratamento psicológico, para profissionais com dependência química de drogas ilícitas ou álcool e para uma ação inédita, na área policial, que é discutir o assédio sexual dentro das Polícias Militar e Civil.
O secretário destaca que o trabalho dos policiais é reconhecido no Brasil como o que mais estressa e pode levar a depressão. “Por tudo o que ele vê e presencia, por causa disso, a gente precisa mudar esse cenário e estamos iniciando o trabalho”.
Para a implementação do núcleo integrado de atendimento, a SSPDS e a Faculdade Maurício de Nassau estão formalizando a parceria, que prevê a realização de programas de estágios supervisionados obrigatórios não remunerados. A assinatura do termo de cooperação entre as instituições deve ser firmada ainda este mês.

Segundo André Costa, além da psicologia, serão oferecidos acompanhamentos de nutrição, enfermagem, fisioterapia e assistência social. “Temos disponibilizado carros, para que sejam feitos atendimentos nas delegacias, nos quartéis e até nas residências, porque às vezes os problemas envolvem o seio familiar. Precisamos cuidar deles para que tenham melhores condições de cuidar da população”, disse.

Fonte: O Povo

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